Imagens

Na foto o prefeito Marcelo Thadeu Assunção (esquerda) e o jornalista Vitor Gonçalves Neto (direta) em visita a poetisa Laura Rosa, em Caxias no ano de 1970.

Laura Rosa (São Luís, 1884) era professora e residiu em Caxias onde deu aulas na segunda década do século XX na Escola Normal. Escreveu vários textos sob o pseudônimo de ‘Violeta do Campo’. Foi a primeira mulher a ingressar na Academia Maranhense de Letras, onde fundou a Cadeira nº26. Nos últimos anos de vida residiu na casa de sua amiga a professora Filomena Machado Teixeira (Tia Filó) na rua São Benedito.

Laura Rosa faleceu em Caxias no dia 14 de novembro de 1976.

Entrevista

Entrevista na live de Caio Motta no dia 11 de abril de 2017. Bate papo sobre o projeto que estou desenvolvendo para publicação em livro sobre os logradouros públicos de Caxias. Além de uma boa conversa sobre arquitetura, patrimônio histórico, cultura e o projeto de um Santuário anunciado para o Morro do Alecrim.

Entre as cinco obras apresentadas pela prefeitura ontem, uma me deixou bastante preocupado. É um santuário com uma monumental estátua de uma santa. O motivo de preocupação é o local escolhido para ser instalado, no ponto principal do Morro do Alecrim.

O Morro do Alecrim é o sitio histórico mais importante da história de Caxias. Local em que duas partes distintas da história do Brasil tem ali seu ponto de referência: A independência e a Balaiada. Uma construção dessa escala e de cunho religioso encobriria para sempre o simbolismo de luta e resistência civil militar de seu entorno. Será um passo para o histórico Morro do Alecrim perder seu sentido e ganhar contornos religiosos. As Cartas Patrimoniais (Diretrizes formalizadas por arquitetos sobre preservação) alertam sobre esse tipo de intervenção em áreas de interesse histórico. Isso irá comprometer para sempre o seu contexto histórico.

Nada ali é mais importante do que as ruínas do antigo quartel. Nada ali pode ser mais importante.

Existem vários pontos em que o Santuário católico possa ser construído. Inclusive de encosta de morros que é possível sua visualização na cidade. Mas para contar a história da Balaiada não. O Morro do Alecrim é o seu único lugar.

Ali é sim um santuário, mas de memória aos mártires da independência e lutas por melhores condições sociais. Aos heróis Duque de Caxias, General Sampaio, João Paulo Dias Carneiro, Major Fidié, Ricardo Leão Sabino, João da Costa Alecrim, entre outros. São esses que merecem um monumento no Morro, e que nunca o tiveram.

Peço que o prefeito Fabio Gentil repense essa obra e reloque o Santuário para um outro local e ali construa sim o mirante conforme fora apresentado para que a população desfrute daquele local de suma importância cultural.

Para o bem de nossa história.

Texto: Eziquio Barros Neto

Restos Mortais do poeta Vespasiano Ramos voltam a Caxias

De forma simbólica, os restos mortais do poeta Joaquim Vespasiano Ramos retorna a Caxias, sua terra natal mais de cem anos depois de seu falecimento.

Reportagem da TV Mirante (Globo – São Luis) – Clique no link para abrir

https://glo.bo/2mH9HTu

Mulheres de Caxias

Obra: Maternidade, do escultor caxiense Celso Antônio de Meneses. Praia de Botafogo, Rio de Janeiro.

Parafraseando a música de Chico Buarque de Holanda: “Mirem-se no exemplo, daquelas mulheres de Caxias”. Mas diferente das mulheres submissas da Atenas citada na letras, elas não ‘se banhavam ao leite’ esperando o marido, nem se ajoelhavam ao serem instigadas. As mulheres de Caxias preservaram a sua dignidade mas sem esquecer seu papel também como protagonista nas várias áreas de atuação na sociedade.

Aqui vai uma singela homenagem a essas mulheres que tiveram seu berço na Gaia caxiense. E também as que aqui não nasceram, mas que tiveram na terra gonçalvina, ou melhor, no feminino topônimo Caxias, a princesa do sertão, imensurável destaque na construção desta cidade.

Como as mulheres das primeiras letras, educadoras, normalistas, professoras que guiaram nossa sociedade: Quininha Pires, Silvandira Kós Guimarães (também vereadora), Lacy Assunção, Marinalva Soares Guimarães e Ana Correia que dão nome a logradouros públicos. Filomena Machado Teixeira (a tia Filó), Debora Pereira, Maria Gemma de Jesus Carvalho (Irmã Gemma, uma das maiores educadoras de Caxias no século XX, diretora do Colégio São José), Dazinha, Fanny Leitão, Maria das Mercês Silva Lima (Tia Miroca), Tia Nazinha, Professora Clara, Eva Carneiro dos Reis, Laura Rosa (que em Caxias exerceu o cargo no magistério na Escola Normal e aqui faleceu), Zelinda de Souza Machado (primeira diretora do Grupo Escolar João Lisboa).

Artistas: Rosa Teixeira Mendes, Aliete Lobo, Amena Varela (pintora), Lucy Teixeira, Lourdes Cunha (poetisa), Tita do Rego Silva, Sonia Maria da Costa Carvalho (pintora), Nancy Guimarães Costa (Pintora, professora de artes plásticas), Bruna Fernanda Cantanhede Gaglianone (Dançarina da companhia de teatro russo Bolshoi), Daniela Costa Gonçalves (Atriz, produtora, fundadora do Espaço Cultural Mosaico em Brasília).

E a Tininha? No fim da década de 1940 comprou sanfona, zabumba e triangulo e montou o seu ‘Tininha e seu Conjunto’. Foram mais de 50 anos de música pelo interior do Maranhão e Piauí tocando o melhor do forró. A Rayla de Jesus Portela com o melhor das serestas e a Aline De Lima que hoje canta na Europa.

As beneméritas Dinir Silva (escritora, colaborava sob o pseudônimo de Selene de Maria com os jornais O Cruzeiro e Folha de Caxias – inclusive com ferrenha defesa na preservação da casa do poeta Gonçalves Dias. Presidente da Sociedade Humanitária de Caxias que construiu o hospital Miron Pedreira); Rosalina Barros (Primeira Dama de Caxias e do Estado do Maranhão), Lys Castro (Primeira Dama, proprietária da Fundação José Castro). As damas da Associação de Caridade Caxiense, fundada em 1920, com direção de Aliete Lobo, Maria Edith de Almeida e Elza Carneiro, que tinha o objetivo de angariar donativos para auxílio aos necessitados.

Na política as vereadoras Jerônima Medeiros (primeira mulher eleita para o cargo no ano de 1937), Joana dos Santos Machado, Edmeé Chaves de Assunção, Ana Batista Colaço Ribeiro, Conceição de Maria Assunção Araújo, Maria de Jesus Ribeiro da Silva, Ivone Reis Moreira Coutinho, Labide Gedeon Simão, Maria de Fátima Mendonça Campos, Tania Maria Porto Cantalice, Ana Lucia Soares da Silva Ximenes, Claudia Fabiana Vieira Silva, Benvinda Almeida Machado, Thais Garcia Coutinho, Taniery Fernanda Porto Cantalice, Nelzir Oliveira Costa Queroz e Aureamelia Soares. No âmbito estadual Cleide Coutinho (Deputada Estadual) e Marcia Marinho (primeira prefeita de Caxias, Deputada Estadual e Federal).

As operarias e camponesas militantes do PCB que pertenciam a União Feminina do bairro Cangalheiro na década de 1960. As escritoras do jornal ‘A Crisálida’, jornal totalmente dirigido e redigido por moças da sociedade, que circulou entre 1885 e 1886, e tinha a educação como um meio de adquirir mais direitos na sociedade. As “pipiras”, como eram chamadas mulheres que trabalhavam na fábrica têxtil.

No ramo empresarial, as mulheres que dirigiram grandes empresas: Altina Veras Guimarães (Que dirigiu a empresa ‘Guimarães Silva & Comp’, após o falecimento de seu marido Antônio Joaquim Ferreira Guimarães, um dos fundadores da fábrica têxtil União Caxiense), As freiras Associação das Irmãs Missionárias Capuchinhas que dirigem o Colégio São José, Iracy Barros (cosméticos).

A atleta Larissa do Nascimento de Souza, maratonista medalhista de diversos campeonatos pelo Brasil afora. Na religião a Maria Fininha com seus tambores da religião afro na descida do Cangalheiro. Andresa Maria de Souza Ramos (Mãe Andressa), sacerdotisa da Casa das Minas em São Luís.

As cozinheiras de mão cheia que tanto fizeram nas noites e madrugadas dos boêmios e notívagos como Dona Dica em seu Sorriso da Noite, a Chica ‘Maga’ e seu Prato Feito. As senhoras do Mercado Central com sua panelada já pronta as cinco da manhã e as especialistas do Pirão de Parida da Veneza.

As musas inspiradoras, como Lily Bittencourt (Musa de Vespasiano Ramos e que casou com o poeta Nereu Bittencourt). A jovem “tangerina” que fugiu com seu boiadeiro e deu nome a Rua da Tangerina. As moças vencedoras do Miss Caxias que embelezavam nossas praças: Camélia Ribeiro dos Reis (1929), Magnólia Pinto (1930), Ezinair Palhano Barros (1948), Conceição Bacelar (1973). As misses mais recentes: Lanna Raquel (2005), Jordana Guimarães (2013), Brenda Lima (2014), Anne Diniz (2015) e Gabrielle Giovana (2016). As caxienses que receberam o título de Miss Maranhão: Maria Alice Castelo Cordeiro (1956), Tereza Francisca Barros Torres (1977) e Ingrid Pereira Gonçalves (2013).

As damas da noite da “calçada alta” na antiga Rua das Cajazeiras, a “tia Diracy” e suas meninas da Boate Madri, as verdadeiras falenas da Atenas Maranhense.

As intelectuais da Academia de Letras: Maria Fatima Felix Costa Rosar, Ana Luzia Almeida Ferro, Joseane Maia Santos Silva, Ana Maria Costa Felix, Silvana Lourenço de Meneses, Inês Pereira Maciel, Maria Anecy Calland Marques Serra e a mais nova confreira Jordânia Maria Pessoa.

As do Instituo Histórico e Geográfico: Erlinda Maria Bittencourt, Maria das Mercês Lima, Maria Bertolina Costa, Marize da Silva Gomes, Valquíria Araújo Fernandes de Oliveira, Silvia Maria Carvalho Silva, Deuzimar Costa Serra, Leticia Maria Primo Mesquita, Maria do Socorro B. da Silva, Francisca Regina R. Neto, Ana Maria Costa Ferro Garjan, Antônia Miramar Alves Silva, Joana Batista de Souza e Mercilene Barbosa Torres.

Da Academia Sertaneja de Letras, Educação e Artes do Maranhão – ASLEAMA: Maria da Glória Ribeiro Lago, Maria Francinete Freitas Coelho, Auredulce Alves Milanez e Silva, Antonia Moura Pinto, Mabel Souza Medeiros, Magda da Cunha, Joseneyde Ferreira e Heloísa Helena Santos de Sousa.

As mães caxienses representadas pela cafuza Vivência Mendes Ferreira, mãe do poeta Gonçalves Dias. E as chefes da família de todos os caxienses que tomo a liberdade para representa-las no nome de minha esposa Juliana Karen Carvalho Vidigal Barros.

A todas as mulheres que sobem diariamente a ladeira do Morro do Alecrim, que circulam as estreitas passagens da rua Afonso Cunha, das moças que passeavam em sentido horário na praça Gonçalves Dias em busca de um pretendente, que lavam roupa nos riachos do Ponte e as que já banharam nas aguas do Itapecuru. Das mães de casa que saem da zona rural em busca de serviços na área central.

Em memória as mulheres vítimas de violência doméstica, agressão sexual ou outro tipo de crime na figura da jovem Sulina, que teria lutado por sua vida com seu algoz e por fim assassinada. No local em que foi enterrada, cresceu o cemitério do Tamarineiro e a Rua Sulina.

Mirem-se no exemplo dessas mulheres de Caxias.

Texto: Eziquio Barros Neto

Sobre o carnaval

Ontem assistindo o jornal da TV Mirante do meio dia, vi uma série de reportagens sobre o carnaval do interior maranhense. A cada cidade que era apresentada se intitulavam como “o melhor carnaval do Maranhão”. Isso me chamou a atenção por um motivo: As festas são todas iguais. Todas as cidades apresentadas mantem o mesmo padrão da festa chupada da Bahia. Até as bandas são as mesmas.

Essas bandas baianas que ninguém conhece mas ao chegar o carnaval vendem mais o local de origem do que a própria música, aproveitam essa época para cobrar um cachê bem alto. No resto do ano voltam ao esquecimento. E quando vem ao Maranhão saem em turnê rodando as cidades do interior fazendo um circuito baiano.
Essas cidades que se intitulam como o “melhor carnaval” não apresentam nenhuma alternativa ou estrutura diferente de festa. É tudo a mesma coisa. As mesmas músicas e propostas de animação. Como intitular uma cidade como a melhor?

Em Caxias também temos esses vícios. Mas aqui acontece algo interessante e diferente. Os blocos de sociedades e amigos cada vez mais vem se mantendo como alternativa de diversão. Temos o Carnarock, Canta Folia, Bloco das Bonecas, da Maizena, do Mocotó, Grupo Malucos por Samba, entre outros que não recordo o nome agora. Esse ano também teve a Jardineira, um carro com músicos tocando machinhas e músicas populares pelas ruas. Acho que o ponto é esse aqui em Caxias. Fortalecer as brincadeiras que estão virando tradição na cidade.