Cemitério São Benedito

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Na praça Dom Luís Marelin, popularmente conhecida como Praça da Chapada, está localizado o mais antigo cemitério de Caxias, o de São Benedito. Situado na área central da cidade, ainda hoje recebe um grande número de enterros de famílias de classe média e alta, principalmente na sua área de expansão, feita no século XX. Sua área está inserida no Decreto Nº12.681 de 1990, que tomba o centro histórico da cidade.

História

Na época do Brasil colônia e até pouco tempo após a independência, membros de famílias tradicionais que ajudavam alguma irmandade na construção da igreja eram enterradas dentro dos templos ou então pagava-se para ter seus restos mortais em solo sagrado para a eternidade. Os não tão abastados e os mais pobres eram enterrados nas terras laterais ou nos fundos dos templos religiosos. Aos indigentes e escravos restava-lhes o enterro nas estradas fora da cidade ou ficavam a sorte de entidades como as irmandades de misericórdias, que lhe davam um enterro digno em terras para este fim. Em Caxias, o enterro desses indigentes era feito pela Irmandade das Santas Almas. Na metade do século XIX, foram criadas a Irmandade de São Benedito e Irmandade de Nossa Senhora dos Remédios.

Na França do início do século XIX, as primeiras ideias higienistas consideravam enterrar os mortos dentro dos templos religiosos e em seu entorno um meio insalubre e de grande risco a saúde pública. No Brasil, essa proibição veio com D. Pedro I em 1828. Houve no Maranhão uma certa resistência a esta proibição por parte da aristocracia, mas devido a graves epidemias em São Luís na década seguinte já estaria valendo a Lei. Embora proibido o enterro é possível encontrar nas igrejas de Caxias túmulos com sepultamentos após a proibição. Isso ocorreu por que havia uma brecha na Lei onde podia-se pagar uma multa para o sepultamento.

A proibição trouxe a necessidade da construção de um cemitério na cidade. Para manter a Igreja de São Benedito, concluída pelos devotos em 1815, foi criada a Irmandade do Glorioso São Benedito no ano de 1855. Essa Irmandade, com o apoio dos devotos e do poder público municipal, começou a construir o seu cemitério em 1858. Em 1861 o Cemitério São Benedito já estava benzido e pronto para receber os mortos de Caxias.

Características

Construído em um antigo largo que pertencia a então recém criada Freguesia de São Benedito, tem o formato retangular e se assemelha ao Cemitério dos Remédios. Tem muro de alvenaria com sete colunas distribuídas de cada lado encimada por pináculos. O portão principal tem destaque o seu frontão com uma cruz metálica acima. Sua distribuição é feita por uma aleia principal que a divide em duas quadras. Ao contrário do Cemitério dos Remédios que já construiu sua capela durante as obras, ela só foi locada e construída tempos depois em sua área de expansão ao fundo. É possível encontrar a última coluna com pináculo que delimitava o terreno original. Foi esse terreno que em 1859 o Bispo do Maranhão Manoel Joaquim da Silveira achou pequeno demais para a cidade.

Embora seja o mais antigo da cidade, restam poucos exemplares de sepulturas do fim do século XIX e início do XX. Elas estão distribuídas próximos a aleia que divide as quadras e do meio do terreno para o final. A explicação é de que os primeiros túmulos existentes no Cemitério São Benedito eram de pessoas simples, com covas sem muitos detalhes e volumetria. A medida que o cemitério recebeu maior número de pessoas houve a necessidade de abrigar novas sepulturas. Pode observar ainda hoje resquícios de muitos túmulos simples invadidos por outras sepulturas ao lado. No início do cemitério existem muitas sepulturas das décadas de 1930 a 80. Embora ainda hoje sejam enterrados os mortos nas sepulturas das famílias na parte da frente.

 Situação atual

Com a construção desordenada de sepulturas, muitos túmulos se perderam ou foram destruídos. Jazidos protegidos por gradis de ferro do século XIX simplesmente sumiram a sua lápide e identificação. O vandalismo também é crítico. Muitas dessas lápides e esculturas estão quebradas. As identificações de mausoléus imponentes estão perdidas para sempre.

cvista3A própria fachada do cemitério, tombada como patrimônio histórico, sofreu o mesmo destino das demais construções arquitetônicas de Caxias. Por volta de 2012 a sua cor original branca fora substituída pela tonalidade goiaba para se assemelhar da Igreja São Benedito. O muro baixo e vazado, supostamente protegido por gradis de ferro, foi preenchido para aumenta-lo, tirando assim sua arquitetura original do século XIX.

O cemitério de São Benedito é de responsabilidade da paroquia de São Benedito desde manutenção de túmulos a limpeza. Já a lei orgânica de Caxias garante que os cemitérios são públicos e devem ser administrados pelo município.

Valor Cultural

Pode parecer estranho, mas os cemitérios pelo Brasil apresentam grande valor arquitetônico e artístico de nossa história. A arte tumular, como é conhecida, é pouco difundida no Brasil. O Cemitério da Consolação em São Paulo é considerado um museu a céu aberto onde devido a grande visita de turistas disponibilizou visitas guiadas. Em seus túmulos estão várias obras de artistas do séc. XIX e de modernistas, além de personalidades históricas do Brasil. É lá que está a obra mais conhecida do artista caxiense Celso Antônio Silveira de Meneses, no tumulo de Lydia Piza Rangel.

No Cemitério de São Benedito estão enterradas algumas figuras ilustres da história de nossa cidade. Na entrada se destaca o mausoléu do Coronel Cesário Lima, importante político e comerciante de Caxias no século XIX. Na política estão: Numa Pompilo (prefeito) e Marcelo Thadeu de Assunção (Deputado Estadual e Prefeito); Os Poetas Nereu Bittencourt e Acrísio Cruz; Os padres Arias Cruz e Monsehor Mendes falecido recentemente; E ainda: Nachor Carvalho que foi responsável por trazer a energia para Caxias, Anfrisio Lobo um dos fundadores da Loja Maçônica Harmonia Caxiense em 1904 e pai do político e militar Aluísio Lobo, Antônio Gentil de Abreu um grande educador da cidade no final do século XIX entre outros.

Muita informação ainda pode ser descoberta no Cemitério São Benedito. É necessário uma grande pesquisa histórica e arqueológica em seus túmulos. Uma simples limpeza e remoção de vegetação e terra já seriam suficientes para colher mais informações. Só assim poderemos conhecer todo o valor cultural de nosso patrimônio.

Túmulos (clique na foto para ampliar)

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Jazido de Quitéria Joaquina da Silva Vianna, falecida 06 de setembro da década de 1870. Foi mandado construir por seu marido o Tenente Coronel Domingos José da Silva Viana. Domingos Viana foi uma figura importante em Caxias na metade do século XIX. Foi Juiz de Paz e delegado de Polícia. Na política era chefe local do Partido Conservador. Foi eleito junto com Gustavo Colaço a Deputado Provincial (Deputado Estadual na época) e faleceu em 1888. Não se sabe se o seu corpo está enterrado na frente do jazido.

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Detalhe da escultura em relevo de um anjo no mesmo túmulo.

c4Esculturas de dois querubins alados. As cabeças das estátuas foram destruídas recentemente pelo vandalismo comum nos cemitérios da cidade. Um dos querubins apresenta as asas e a do outro fora quebrada. A coroa de louros que ficava entre eles também foi quebrada restando apenas um pequeno pedaço. Entre os dois possivelmente ficava uma cruz de ferro ou uma outra escultura.

c5Mausoléu de Cesário Fernandes Lima. Importante comerciante e político caxiense nascido em 1854 e falecido em 1912. A sua casa e comercio em estilo colonial ainda existem nos três corações, esquina com a rua Porto das Pedras. Coronel Cesário Lima é pai do Desembargador Arthur Almada Lima e avô do também desembargador Arthur Almada Lima Filho. O mausoléu também abriga o túmulo de demais familiares. O Mausoléu tem friso com um frontão curvado logo acima com uma flor esculpida em relevo e dois pináculos. Acima uma cruz metálica com a inscrição 1914. Possivelmente a data da conclusão do mausoléu. Parte do mausoléu está revestido de azulejo, provavelmente da metade do século XX.

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Exemplo de túmulo antigo sem lápide e identificação.

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Detalhe de gradil de ferro do século XIX.

c8cTúmulo com proteção de gradil de ferro em estilo gótico parcialmente soterrado.

c9Mausoléu sem identificação. Pela sua volumetria, foi de uma figura importante da aristocracia caxiense do final do século XIX. Em seu friso, percebe-se que era rico em detalhes pois é possível ver desenhos em relevos. A cruz e escultura que existiam, perdeu-se. É possível imaginar que fosse um dos mais belos exemplos da arte tumular da época.

c10cDetalhe do friso: percebe-se os relevos decorativos em sua composição.

c11Detalhe de escultura de anjo em relevo no túmulo do capitão Domingos Desiderio Marinho. Membro do Partido Conservador e comerciante residindo no largo da Matriz, pertenceu a elite caxiense da metade do século XIX.

c12Túmulo com gradil de ferro sem identificação. Possivelmente sua lápide está soterrada.

c14aNos limites da área delimitada em 1858, há esse curioso túmulo onde se lê em sua lápide inacabada: “Aqui jaz Amélia Gulig natural da Inglaterra falecida a 7 de setembro de 1885. CA – Lembr de Seu F John Bridge”. Parte do epitáfio está preenchido e a outa metade apenas o contorno como se a lápide tivesse pressa para ser assentada. Não achei nenhum registro histórico dos dois em Caxias. Amélia seria mãe de John. Teria Amélia Gulig se casado com um brasileiro e vindo morar em Caxias? Ou toda a família inglesa vindo morar por aqui? Seria uma família de artistas em apresentação no teatro Harmonia? Minha opinião é de que John Bridge era um mecânico, vindo com a família trabalhar no parque industrial que se criava no Maranhão. Em 1885 já existia a Industrial Caxiense no bairro Ponte, onde muitos estrangeiros vieram a Caxias nesta época.

c15aCapela. A torre central foi construída posteriormente no século XX. O piso externo é de ladrilho hidráulico e o do interior já foi trocado por cerâmica nova.

c16Mausoléu mais alto do Cemitério São Benedito. Atrás é possível ver a última coluna com pináculo que demarcava o fim do terreno original concluído em 1861.

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Lápide com letras e folhagens em estilo Art Nouveau.

Conselho da Cidade apresenta projeto de Lei para Caxias

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O Conselho Municipal da Cidade de Caxias – CMCC, na presidência do arquiteto Eziquio Barros Neto, apresentou uma minuta de projeto de Lei referente ao parcelamento do solo urbano da cidade. Tal projeto de lei trata da parte de loteamento, desmembramento e demais normativas que tratem da divisão de terras na zona urbana de Caxias.

O parcelamento do solo é redigido pela Lei Federal Nº6766/79, onde dá aos munícios a responsabilidade de adequá-la a sua realidade. Conforme o arquiteto e urbanista Eziquio Barros: “A cidade de Caxias não tem leis urbanísticas regulamentares, como de uso e ocupação do solo, zoneamento e código de obras. Quando se faz um loteamento, se altera o espaço urbano da cidade. Sem regulamentação, esse loteamento pode prejudicar os caxienses e ainda seus futuros moradores. Essa lei de parcelamento vem a ajudar o município pois ela garante que as normas urbanísticas da cidade sejam atendidas.”

Manifesto dos Arquitetos de Caxias

O projeto elaborado pelo Conselho teve apoio dos arquitetos que atuam na cidade. Cada profissional recebeu uma cópia onde deu sua contribuição ao projeto, sendo assim um processo participativo dos urbanistas com os setores da sociedade civil organizada. Após o término das discussões os arquitetos assinaram uma carta onde apoiam a aprovação da lei em Caxias.

Conforme norma do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil – CAU, apenas arquitetos e urbanistas podem ser responsáveis por projetos de loteamento.

O projeto de lei será agora apresentado ao prefeito Leonardo Coutinho, onde em seguida deverá ser encaminhado a Câmara de Vereadores para apreciação.

Centro de Cultura José Sarney: não é hora de mudar?

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Ao assumir o governo do Maranhão, Flavio Dino teve como um dos primeiros atos o Decreto que proíbe bens públicos do Estado de receberem nomes de pessoas vivas. O Decreto não é retroativo, ou seja, não irá mudar os estabelecimentos já nomeados. Em março deste ano a Secretaria de Educação do Estado identificou o nome de dez escolas que levaram nomes de ditadores que governaram o Brasil no período militar. Por votação das próprias escolas, os nomes foram alterados para os de poetas, professores e demais personalidades já falecidas. O próximo projeto seria mudar o nome do estádio João Castelo, o ‘Castelão’, para a de um famoso jogador maranhense.

No Maranhão, várias cidades receberam nomes de personalidades políticas ainda em vida. Governador Edson Lobão é um município criado em novembro de 1994, em homenagem ao ex-governador que saiu do cargo em abril do mesmo ano. Ribamar Fiquene, outro município criado em 1994, recebeu o nome do próprio governador até então, Ribamar Fiquene (02/04/1994-01/01/1995). E claro, tem o município Presidente Sarney, instalado em 1997 onde a governadora do Estado era sua filha, Roseana Sarney. Vários são as escolas, praças, ruas, repartições que levam nomes de membros da família Sarney. Fato que se tornou polêmico em 2002, o Tribunal de Contas do Estado – TCU/MA, chegou a ser nomeado com o nome da ex-governadora Roseana Sarney, sendo seu nome mudado somente em 2009.

Em Caxias o imponente prédio da antiga fábrica manufatora, construída no ano de 1889 por vultos notáveis da época como o industrial Francisco Dias Carneiro, leva o nome de José Sarney. Cravado na área central da cidade, o prédio de arquitetura neoclássica do fim do século XIX tem como destaque sua chaminé, sendo observada por quase toda a cidade.

Desde sua fundação até o fim das suas atividades têxteis, por volta da década de 1960, o prédio se chamava Fabrica Têxtil União Caxiense, da Companhia União Caxiense. Devido a crise no setor, a fábrica acabou fechando as portas e seu prédio abandonado. Nos anos seguintes, tamanho era o estado de abandono que chegou-se a cogitar o desmonte de sua estrutura metálica, vinda da Inglaterra, para ser usada em outra construção. Em 1977, o então prefeito José Castro reintegrou o prédio, que estava abandonado pela falência da firma, ao município.

Na segunda administração do prefeito Aluízio de Abreu Lobo (1978/1980), após reforma em 1980, foi entregue a população caxiense como ‘Centro de Cultura José Sarney’. Homenagem dada ao chefe político, Senador José Sarney, presidente da ARENA, o partido da Ditadura e padrinho político do prefeito Aluízio Lobo e do então governador do Estado, João Castelo. Era costume no período militar homenagear os cacifes que sustentavam o governo com nomes de prédios públicos, escolas, hospitais, etc…

Desde então o maior símbolo de nossa arquitetura, este espaço reservado a cultura de Caxias, leva o nome do chefe da oligarquia que comandou o Maranhão por mais de cinquenta anos, levando o estado a ter os piores índices sociais e econômicos.

Por que não homenagear os idealizadores do monumental edifico como Francisco Dias Carneiro, Manoel Correia Bayma do Lago ou Antônio Joaquim Guimarães? E os artistas caxienses? Centro Cultural Celso Antônio Silveira de Meneses seria uma ótima homenagem a esse grande escultor.

Já não é hora de mudar o nome do nosso símbolo?

Moto taxis: Regularização sim!

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Desde o final dos anos 90, as cidades de médio e pequeno porte pelo Brasil passaram a oferecer um serviço rápido, prático e até então barato que era o transporte individual de passageiros por motocicletas. Esse serviço veio para suprir duas necessidades básicas nas cidades: a falta de emprego e a ausência de transporte público. Desde então o ‘moto táxi’ passou de emprego alternativo a emprego fixo para centenas de pais de famílias. E a população carente de transporte público acabou tendo como única alternativa de trafegar pela cidade o serviço de moto táxi.

O serviço é prático. Ao contrário do transporte coletivo onde existem pontos de subida e descida, além do tempo de espera, a ‘corrida de moto’ pode ser iniciada e finalizada em qualquer lugar que o passageiro desejar. As motos ganharam pontos em diversas praças na cidade, iguais aos dos ônibus. Diariamente cinco mil pessoas utilizam o serviço em Caxias.

O prefeito Leo Coutinho assinou Decreto em abril deste ano regularizando este serviço em Caxias. O Decreto padroniza os coletes dos motoqueiros, capacetes e motos. Mas a prefeitura ainda não conseguiu implementar o Decreto, pois encontra resistência por parte de motoqueiros que não aceitam a padronização.

Casos no Maranhão

Em 2012 a cidade de Imperatriz regularizou o serviço depois que vereadores resolveram questionar os valores cobrados por curtas viagens. A reclamação partiu dos próprios moto taxistas que reclamavam de preços abusivos cobrados por colegas e não teriam a quem recorrer. Foi então criado uma tabela para tarifar os preços. Em Bacabal também houve debate sobre regulares e clandestinos onde vereadores limitaram o número de moto taxistas por habitantes. Timon também regularizou o serviço em 2011.

É comum sempre que se tenta regularizar ou normatizar algum serviço se encontre barreiras para sua implementação aqui no estado. O caso mais pitoresco aconteceu na cidade de São Vicente Ferrer. Em 2011, ciente do problema no transito da cidade, o Promotor de Justiça daquele município realizou audiência pública para discutir com o Departamento de Transito medidas para conter irregularidades e evitar acidentes.

Temerosos de que a audiência resultasse em uma maior fiscalização e rigor nas ruas, a Câmara de Vereadores aprovou uma Lei Municipal proibindo a polícia de fiscalizar motos. Com isso o motoqueiro poderia trafegar sem capacete, sem portar documentos, habilitação e até cometer infrações. A justificativa era de que por ter uma população de extrema pobreza e semianalfabeta, muitos dependiam da moto e não teriam condições de comprar os equipamentos e até dificuldades de ficar em dias com o IPVA. O Ministério Público entrou com ação porque a Lei altera o Código de Transito Brasileiro, o que é irregular.

O que deveria ser feito para regularizar o serviço

Em meio a discursos contrários a regularização do serviço em Caxias, o maior interessado fica de fora do debate que é o passageiro. Todas as justificativas são para favorecer o emprego de quem pretende usar o moto táxi, tirando-lhe algumas obrigações. Com isso, o serviço oferecido ao passageiro fica prejudicado e limitado. É sabido que a Constituição Federal e o Código de Transito obriga os municípios a oferecer transporte público a população. Uma vez que não seja possível, pode-se conceder a empresas explorar esse serviço. E é esse serviço de moto táxi que a população tem a seu dispor. E esse serviço tem de dar garantias e qualidade a quem o usa. Abaixo uma lista do que precisaria para um melhor serviço oferecido a população de Caxias:

Tabela de preços – Até o final de 2014, o preço em média girava em torno de R$03,00. Já este ano subiu para R$06,00. Tanto faz se a distância é de um ponto do centro ao outro. Até mesmo o deslocamento da área central para bairros distantes como o Luiza Queiroz o valor pode ser esse. O preço da ‘corrida’ precisa ser regulamentado pelo município e ser fixado em paradas de táxi e uma cópia com o próprio condutor.

Padronização da moto e do motoqueiro – O Decreto municipal exige que o motoqueiro esteja usando colete de identificação. Outros itens também são necessários para a segurança do passageiro, como: Alça metálica na parte lateral para sustentação do passageiro, barra protetora das pernas, escapamento revestido para evitar acidente, e claro itens obrigatórios como capacete para ambos.

Colete e pintura – Um dos pontos que os moto táxis irregulares são contrários é a pintura da moto na cor amarela. A justificativa é que além de gastar com o serviço isso desvaloriza a moto na hora de revender. Em todas as cidades brasileiras, não só as motos mas também os carros são obrigados a alterarem a cor original para o padrão local. A cor facilita que o passageiro identifique o transporte como regular e limita que motos irregulares atuem na clandestinidade.

Categoria de moto – Recentemente entrou no mercado vários tipos de motos de baixa cilindrada para o público da Classe C que aumentou seu poder aquisitivo. São motos populares conhecidas como ‘Pop 100’, de até 100 cilindradas e outras como ‘Honda Biz’ existentes já a algum tempo. Essa categoria está sendo usada como moto táxi nas ruas de Caxias. Esse tipo de moto limita o conforto de passageiros e também o uso de equipamentos de segurança. Em algumas cidades brasileiras motos abaixo de 150 cilindradas são proibidas de circular em rodovias. A moto ideal para o serviço de transporte deveria ser a partir de 150 cilindradas, como a ‘Titan’.

Até que a cidade ofereça um sistema de transporte coletivo eficiente e que garanta a circulação por toda a cidade, o Moto Táxi continuará sendo o único meio rápido e prático de circulação. Em suma, a regularização do transporte individual por moto pode trazer mais comodidade e segurança ao caxiense que depende desse serviço.

Eziquio Barros Neto é arquiteto e urbanista. Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Caxias – CMCC.

O Papel do negro na arquitetura e urbanismo de Caxias

Fui convidado ontem pela repórter Paula Menezes da TV Sinal Verde, Caxias, para falar a respeito do papel do negro na arquitetura da cidade. A entrevista completa foi veiculada ontem, dia 13 de maio, em que se completa 127 anos da abolição da escravatura.

Recebendo total influência da arquitetura colonial portuguesa, as moradas dos senhores de engenho na área rural seguia o padrão casa grande e senzala. A casa grande para a família abastada e a senzala que servia de morada para os escravos.

Na parte urbana, nos seus primórdios, a cidade servia apenas para aglutinar comerciantes que viam atrás de mercadorias e para despachar toda mercadoria produzida em Caxias. Foi só na metade do século XIX que a parte urbana veio a ter um papel importante, servindo de morada as famílias mais ricas. E com isso, os escravos passaram do trabalho do campo para a cidade.

Muitas casas da época passaram a ter uma espécie de porão, não necessariamente se criando um pavimento abaixo do térreo. É um estilo conhecido como “Casa de porão alto”. Em São Luís existem vários exemplos de casas com “dois pavimentos e porão” e até três. Esse porão servia para a morada dos escravos. Uma vez que os imóveis na área urbana não poderiam ter as mesmas características rurais como grandes áreas, os escravos passaram a morar debaixo do térreo. Em muitos casos, os escravos tinham de dividir esse espaço com mercadorias e animais do seu senhor.

casa4Imóvel na rua Porto das Pedras, Três Corações. Centro de Caxias. Exemplo de Casa de Porão Alto. É possível observar as pequenas janelas na parte abaixo do pavimento principal da casa.

O Escravo na arquitetura em Caxias

 No fim do século XVIII, muitas igrejas não aceitavam negros em seus templos, como a igreja de São Benedito (que aliás era negro). Os escravos católicos se agrupavam em irmandades ligadas a Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. E em Caxias também assim fizeram os negros devotos. Em 1775 o templo já tinha suas paredes erguidas faltando apenas o telhado. Em 1865 a igreja foi reformada e adicionado o frontispício na fachada, cobertura de telha, altar-mor no interior e laterais com a feição que apresenta hoje. Conta-se que em frente a esta igreja, símbolo religioso da cidade e dos negros, existia um pelourinho, local que se castigava os escravos rebeldes. Mas muitos historiadores questionam se esse era realmente o local certo. Alguns afirmam que em frente a Igreja do Rosário ficava um estandarte da monarquia que seria confundido com o pelourinho. E que o pelourinho ficava em frente a casa de Câmara e Cadeia, onde hoje é a Praça do Panteon.

Outro ícone urbano do século XIX na cidade era a pavimentação em torno do largo de São Benedito, atual praça Vespasiano Ramos. As imensas pedras irregulares, de cor rosa que brilhavam com o sol da tarde em Caxias, foram assentadas com trabalho escravo. Infelizmente as pedras foram cobertas com asfalto na década de 1990 e recentemente, foram retiradas pela troca de canos que ocorrem em todo o centro. Esse trabalho não foi acompanhado pelo Patrimônio Histórico ou algum arqueólogo, e não se sabe se esse tesouro da arquitetura colonial maranhense se perdeu para sempre.

Como os equipamentos urbanos na época eram precários, esse serviço era feito pelo escravo. O trabalho braçal do campo mudou-se para o trabalho braçal da cidade. As casas não tinham banheiros, esgoto, não tinham nem abastecimento de água. Os dejetos humanos dos senhores eram levados até o destino final, geralmente um rio pelos escravos. A agua para as casas, vinham de baldes carregados nos ombros direto dos rios ou córregos.

Muitos arquitetos contemporâneos defendem que a arquitetura brasileira também mudou com a abolição da escravatura em 1888. A família patriarcal que dependia de escravos, mudou de habito. Os imensos cômodos ficaram vazios, o programa de necessidades dessas famílias tiveram de ser alterados. Outros ainda afirmam que o ultimo resquício da escravidão ainda não foi apagado da burguesia brasileira, que é o quarto da empregada doméstica. Existente desde o período colonial, esse quarto servia ao garoto de recados e as babás. Na falta de uma política pública de relocação do negro no mercado de trabalho, muitos trabalhavam por preços muito baixos que não se diferenciavam da escravidão. Esse quadro não mudou muito ao longo do tempo, onde muitas pessoas por baixos salários, morada e comida fez com que o quarto para empregados sempre estivesse presente nos projetos de arquitetura.

O negro sempre teve papel importante na construção da história de Caxias. Seja social, como na revolta da Balaiada contra a opressão dos poderosos, seja cultural com suas danças folclores e seja na arquitetura, responsáveis pelos alicerces que se conhece hoje como o centro histórico.

Eziquio Barros Neto é arquiteto e urbanista. Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Caxias-MA.

Conselho da Cidade solicita desapropriação de áreas em Caxias

O Conselho Municipal da Cidade de Caxias – CMCC, enviou a Prefeitura Municipal um Parecer onde analisa três áreas na cidade de interesse histórico e solicita providências para garantir sua preservação. São elas:

A desapropriação do imóvel na rua 1º de Agosto conhecido como Delfinlândia por acreditar que o prédio foi abandonado e corre sério risco de ter seus elementos arquitetônicos destruídos. O conjunto arquitetônico colonial de prédios do século XIX, em frente a Delfinlândia, demolido e abandonado.

O Parecer ainda pede a desapropriação de um terreno localizado no Morro do Alecrim que serve como um mirante para a cidade e que também está abandonado. O terreno ainda está cercado por um muro, impedindo o acesso a vista de Caxias.

O Parecer e a reportagem da Sinal Verde são de agosto de 2014.

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Área abandonada no Morro do Alecrim. A cidade está privada de um dos mais belos pontos turísticos.